o chão limpo reflete
a janela
(igualmente limpíssima)
o mundo se acaba em sol
lá fora
e eu aqui, hipnotizada
pelo teu cheiro
a cuidar das feridinhas
que brotam
das tuas costas
Quarta-feira, Outubro 28, 2009
Segunda-feira, Outubro 12, 2009
maracujá
e é aquela vontade estranha de não querer sair de perto, rir de uma futura calvície, contar os causos da infância distante e da adolescência que ainda faz sombra, listar os filmes já vistos e os não vistos também, fazer pouco caso se uma das partes entende mais de uma coisa do que a outra, ter intimidade pra falar coisas ridículas – e pra parecer ridículo também.
é estar junto não porque é necessário, mas pura e simplesmente pela vontade de estar.
(e eu quero)
é estar junto não porque é necessário, mas pura e simplesmente pela vontade de estar.
(e eu quero)
Terça-feira, Setembro 29, 2009
"(...) Diego,
essa carta é uma mentira.
Paris tem sido boa pra mim, mas sem você não significa nada.
Toda a raiva dos nossos 12 anos juntos passam por mim e só sei que eu o amo mais que minha própria vida, e talvez você não me ame assim, mas você me ama um pouco, não é?
Se não for verdade, sempre terei esperanças de que seja."
Paris tem sido boa pra mim, mas sem você não significa nada.
Toda a raiva dos nossos 12 anos juntos passam por mim e só sei que eu o amo mais que minha própria vida, e talvez você não me ame assim, mas você me ama um pouco, não é?
Se não for verdade, sempre terei esperanças de que seja."
Quarta-feira, Setembro 16, 2009
idade adulta
os pés com meias
tocam-se
(tímidos)
embaixo daquele
cobertor azul
(do mickey)
e os sorrisos
que surgem por
trás dos brilhantes
aparelhos ortodônticos
poderiam explodir
o mundo inteirinho
tocam-se
(tímidos)
embaixo daquele
cobertor azul
(do mickey)
e os sorrisos
que surgem por
trás dos brilhantes
aparelhos ortodônticos
poderiam explodir
o mundo inteirinho
Terça-feira, Setembro 08, 2009
Conjunto
Sabe aquela história de "happiness only real when shared"¹? Então...ando descobrindo que não há nada mais lindo que (com)partilhar alegrias, ter amigos, amar as pessoas. Leio coisas antiquíssimas (do ano passado) aqui e me acho tão boba por já ter me auto-julgado auto-suficiente. Não. Eu preciso das pessoas. Eu preciso ter pessoas com quem eu possa me preocupar e que eu saiba que se preocupam comigo também. Preciso de ajuda pra andar e pra levantar quando cair. E, claro, de pessoas para as quais eu possa falar todas essas coisas bregas que amo falar - no fundo vocês sabem que eu sou mais Sidney Magal do que sou Mick Jagger.
¹Into the Wild
¹Into the Wild
Domingo, Agosto 23, 2009
Doceria
as horas passadas
na lanchonete
de copos sujos
e pratos de jogos
diferentes
não a fizeram mudar
a maneira
de ver o mundo
nem a paixão
que sentia pelo vizinho
(maconheiro)
que chegava bêbado
do supletivo
às 11 da manhã
na lanchonete
de copos sujos
e pratos de jogos
diferentes
não a fizeram mudar
a maneira
de ver o mundo
nem a paixão
que sentia pelo vizinho
(maconheiro)
que chegava bêbado
do supletivo
às 11 da manhã
Domingo, Agosto 09, 2009
Bijuteria
apesar de mamãe dizer
que com eles
Catarina parecia
uma vagabunda,
os brincos gigantes
de plástico
não atrapalharam
quase nada
o primeiro beijo
que com eles
Catarina parecia
uma vagabunda,
os brincos gigantes
de plástico
não atrapalharam
quase nada
o primeiro beijo
Sexta-feira, Julho 31, 2009
Bittersweet home
Ontem postei um tweet falando que não gostava de Guarapuava e que algumas pessoas me consideravam babaca por isso. Motivada pela curiosidade de alguns e pelo tempinho que não postava aqui, resolvi contar o porquê dessa relação de amor e ódio.
Guarapuava é uma cidade no centro-oeste do Paraná, que possui cerca de 180.000 habitantes, um prefeito pai do deputado que matou dois em Curitiba e onde venta feito o diabo.
Apesar da quantidade até altinha de habitantes, Guarapuava é uma cidade pobre, o que faz com que o número de pessoas que "preenchem" as classes média e alta seja pequeno, então quase todos se conhecem (cheguei à essa conclusão com uma amiga dia desses). Minha família, felizmente (ou não), faz parte desse grupo de pessoas e, embora não sejamos tradicionais daqui nem nada (meu pai é de Londrina e maman é de Irati), até que meus pais são conhecidinhos.
Essa última informação somada com o fato de que todos se preocupam com a vida de todos por aqui (da pior maneira possível, claro) me levou a sempre fazer as coisas quase sempre com o cu na mão e com medo de que meus pais ficassem sabendo (o que aconteceu algumas vezes). Felizmente nunca precisei fazer muuuuuita coisa escondida deles, mas tive vários amigo(a)s que tomaram no cu bonito por isso (sendo que quase sempre a situação não era pra tanto).
Guarapuava é uma cidade de aparências. As pessoas vivem competindo (veja bem, eu estou falando do pessoal da "society") pra ver quem é mais influente, quem tem o melhor carro, quem usa as melhores roupas, quem namora os caras mais ricos (nossa, se for alguém da colônia dos alemães então...) e por aí vai.
Além do mais, não há o que se fazer em Guarapuava. Se você não se importa de ir sempre aos mesmos lugares e ver sempre as mesmas caras, ótimo - eu me importo.
Outra coisa que me emputece é que a cidade tem tudo pra crescer (boa localização, gente precisando de emprego, universidade estadual etc), mas não cresce. A política por aqui é uma bosta.
Foi em Guarapuava que eu criei meus traumas, que conheci gente ruim pra mim (ruim de verdade), que eu sempre vi alguém tentando puxar o tapete dos meus pais (da minha mãe principalmente). Aqui eu conheci a falsidade na raiz. Também sofri por (tentar) ser autêntica, conhecendo desde pessoas que me julgavam muito mal a pessoas que tentavam me copiar a todo custo.
Claro que nem tudo é merda e eu passei bons momentos nessa cidadezinha gelada. Tive bons (nem todos) namorados, amigos, uma infância feliz. Foi aqui que meus pais fizeram a vida, onde eles continuam e, olhe, se eu não nutrisse um carinho pela antiga da cidade da maçã, eu nem consideraria ela minha cidade natal (visto que nasci em Curitiba); porque, afinal, home is where the heart is.
Eu odeio tanto Guarapuava que quase chego a amá-la; o problema é que ela não me dá orgulho, entende? E ter orgulho das coisas é de extrema importância pra mim.
Espero, do fundo do meu coraçãozinho vermelho e pulsante e meio seco, um dia poder dizer com a boca cheia e quase babando que sim, sou de Guarapuava.
Guarapuava é uma cidade no centro-oeste do Paraná, que possui cerca de 180.000 habitantes, um prefeito pai do deputado que matou dois em Curitiba e onde venta feito o diabo.
Apesar da quantidade até altinha de habitantes, Guarapuava é uma cidade pobre, o que faz com que o número de pessoas que "preenchem" as classes média e alta seja pequeno, então quase todos se conhecem (cheguei à essa conclusão com uma amiga dia desses). Minha família, felizmente (ou não), faz parte desse grupo de pessoas e, embora não sejamos tradicionais daqui nem nada (meu pai é de Londrina e maman é de Irati), até que meus pais são conhecidinhos.
Essa última informação somada com o fato de que todos se preocupam com a vida de todos por aqui (da pior maneira possível, claro) me levou a sempre fazer as coisas quase sempre com o cu na mão e com medo de que meus pais ficassem sabendo (o que aconteceu algumas vezes). Felizmente nunca precisei fazer muuuuuita coisa escondida deles, mas tive vários amigo(a)s que tomaram no cu bonito por isso (sendo que quase sempre a situação não era pra tanto).
Guarapuava é uma cidade de aparências. As pessoas vivem competindo (veja bem, eu estou falando do pessoal da "society") pra ver quem é mais influente, quem tem o melhor carro, quem usa as melhores roupas, quem namora os caras mais ricos (nossa, se for alguém da colônia dos alemães então...) e por aí vai.
Além do mais, não há o que se fazer em Guarapuava. Se você não se importa de ir sempre aos mesmos lugares e ver sempre as mesmas caras, ótimo - eu me importo.
Outra coisa que me emputece é que a cidade tem tudo pra crescer (boa localização, gente precisando de emprego, universidade estadual etc), mas não cresce. A política por aqui é uma bosta.
Foi em Guarapuava que eu criei meus traumas, que conheci gente ruim pra mim (ruim de verdade), que eu sempre vi alguém tentando puxar o tapete dos meus pais (da minha mãe principalmente). Aqui eu conheci a falsidade na raiz. Também sofri por (tentar) ser autêntica, conhecendo desde pessoas que me julgavam muito mal a pessoas que tentavam me copiar a todo custo.
Claro que nem tudo é merda e eu passei bons momentos nessa cidadezinha gelada. Tive bons (nem todos) namorados, amigos, uma infância feliz. Foi aqui que meus pais fizeram a vida, onde eles continuam e, olhe, se eu não nutrisse um carinho pela antiga da cidade da maçã, eu nem consideraria ela minha cidade natal (visto que nasci em Curitiba); porque, afinal, home is where the heart is.
Eu odeio tanto Guarapuava que quase chego a amá-la; o problema é que ela não me dá orgulho, entende? E ter orgulho das coisas é de extrema importância pra mim.
Espero, do fundo do meu coraçãozinho vermelho e pulsante e meio seco, um dia poder dizer com a boca cheia e quase babando que sim, sou de Guarapuava.

Terça-feira, Julho 14, 2009
2001
depois de
distantes halloweens
infantis
(dos cursinhos de
inglês)
voltas da escola
presbiteriana
controles de videogame
caseiros
vieram as mãozinhas
entrelaçadas
os dedos
limpando os olhos
a respiração
ofegante e
cá estamos
amantes
de três semanas
distantes halloweens
infantis
(dos cursinhos de
inglês)
voltas da escola
presbiteriana
controles de videogame
caseiros
vieram as mãozinhas
entrelaçadas
os dedos
limpando os olhos
a respiração
ofegante e
cá estamos
amantes
de três semanas
Domingo, Julho 12, 2009
Pois é
Não adianta tentar porque meu cérebro não vai ceder.
Preciso ter o coraçãozinho partido brutalmente para poder usar as palavras de novo.
Preciso ter o coraçãozinho partido brutalmente para poder usar as palavras de novo.
Terça-feira, Junho 16, 2009
El amor en los tiempos del cólera
Catarina não vivia paixão como essa há algum tempo (desde os 14 anos, para ser mais exata). Paixão do modo como ela deve ser mesmo: um sentimento louco, que faz encolher a barriga até as costelas aparecerem, arrepiar os pelinhos do braço, reconhecer o cheiro da pessoa no meio de outras mil.
Não era o tipo de paixão que ela vinha vivendo ultimamente, de primeiro olhar para os gostos da pessoa, ver se poderiam discutir Star Wars por horas a fio, se poderiam dividir um livro da García Márquez. Não. Era paixão sem colocar Mestre Yoda ou Aureliano Buendía algum no meio. Era paixão de querer ensinar as coisas a ele, de conhecer os nós dos dedos, de deitar na grama do Jardim Botânico num sábado de sol. Paixão que faz as coisas mais bregas do mundo parecerem um Pollock.
Pela primeira vez em muitos anos, Catarina vivia uma paixão sem olhar para si mesma primeiro. Era paixão de olhar pra ele. Só para ele.
Não era o tipo de paixão que ela vinha vivendo ultimamente, de primeiro olhar para os gostos da pessoa, ver se poderiam discutir Star Wars por horas a fio, se poderiam dividir um livro da García Márquez. Não. Era paixão sem colocar Mestre Yoda ou Aureliano Buendía algum no meio. Era paixão de querer ensinar as coisas a ele, de conhecer os nós dos dedos, de deitar na grama do Jardim Botânico num sábado de sol. Paixão que faz as coisas mais bregas do mundo parecerem um Pollock.
Pela primeira vez em muitos anos, Catarina vivia uma paixão sem olhar para si mesma primeiro. Era paixão de olhar pra ele. Só para ele.
Sexta-feira, Junho 12, 2009
Valentine's day
Fiquei solteira há pouco tempo e, definitivamente, não sirvo pra isso.
Já estou apaixonada (sem ser correspondida).
Eu poderia usar mil desculpas tentando explicar o porquê de eu ter me apaixonado tão rápido, mas são tantas que o post ficaria gigantesco.
Sei que Jack Johnson é meio tosco e que ele não tá na "moda" mais, mas não achei nada melhor do que um trecho de uma música dele para explicar por que diabos me apaixono tão fácil:
"I could close my eyes, it's still there
Close my mind, be alone
I could close my heart and not care
But gravity has got a hold on us all"
(crying shame)
É aquela história de "life goes on" e de "I've got all my life to live; I've got all my love to give" que tanto berramos com "I will survive".
feliz dia dos namorados.
Já estou apaixonada (sem ser correspondida).
Eu poderia usar mil desculpas tentando explicar o porquê de eu ter me apaixonado tão rápido, mas são tantas que o post ficaria gigantesco.
Sei que Jack Johnson é meio tosco e que ele não tá na "moda" mais, mas não achei nada melhor do que um trecho de uma música dele para explicar por que diabos me apaixono tão fácil:
"I could close my eyes, it's still there
Close my mind, be alone
I could close my heart and not care
But gravity has got a hold on us all"
(crying shame)
É aquela história de "life goes on" e de "I've got all my life to live; I've got all my love to give" que tanto berramos com "I will survive".
feliz dia dos namorados.
Segunda-feira, Junho 01, 2009
Felicidade
Rio, acho graça
dos seus dentinhos
tortos
do seu terno
impecável
da implicância
com meu cigarro
Desejo tangos
eternos
e vinhos
inacabáveis
e mil noites
ao seu ladinho
dos seus dentinhos
tortos
do seu terno
impecável
da implicância
com meu cigarro
Desejo tangos
eternos
e vinhos
inacabáveis
e mil noites
ao seu ladinho
Segunda-feira, Maio 25, 2009
Poetinha
"(...)Uma beleza que vem da tristeza/De se saber mulher/Feita apenas para amar/Para sofrer pelo seu amor/E pra ser só perdão(...)"¹
Incrível. Só Vinicius de Moraes mesmo pra conseguir cantar de forma tão linda que somos meio burrinhas.
¹Samba da Bênção
Incrível. Só Vinicius de Moraes mesmo pra conseguir cantar de forma tão linda que somos meio burrinhas.
¹Samba da Bênção
Domingo, Maio 17, 2009
Indigestão
Após deixar que colocasse os pés na mesa e mastigasse meu coraçãozinho, você o mastigou mastigou mastigou e vomitou tudo no meu peito oco e aberto
Quarta-feira, Maio 13, 2009
Little dream
Nós, uma garrafa de Veuve Clicquot e Ella Fitzgerald duetando com Louis Armstrong.
Morri.
Sou uma romântica incorrigível.
Morri.
Sou uma romântica incorrigível.
Terça-feira, Abril 28, 2009
Subterranean Homesick Alien
Quinta-feira, Abril 16, 2009
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